segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

CARROS DOS ANOS 70 - BELINA



     Depois do impacto do lançamento do Corcel quatro portas no final de 1968 e logo em seguida do modelo cupê, criou-se uma expectativa em torno do que viria a seguir. A aparição só se deu em março de 1970, quando a Belina chegou ao mercado. Essa demora deu origem a boatos: uma parte do povo dizia que a Ford esperava o lançamento da VW Variant antes de colocar a Belina nas lojas. Outros juravam que a engenharia estava apanhando da tração dianteira por conta do maior peso atrás. Especulava-se até a possibilidade de a Belina sair com tração traseira...
     Bobagem. A Belina chegou com as mesmas características mecânicas da linha Corcel, como tração dianteira e radiador selado, e em três versões: 

Standart

 Luxo

Luxo especial

     Esta última chamava a atenção pelas faixas laterais de madeira, na verdade um material sintético que imitava jacarandá. Esse detalhe, emprestado das station wagon americanas, era uma lembrança das antigas woodies, peruas com carroceria de madeira típicas dos anos 40.
     A Belina tinha linhas agradáveis e as estrias de reforço no teto combinavam com o estilo do carro, que parecia ter a traseira levemente empinada


     Com uma ampla porta que facilitava a entrada de carga para o "salão". Com o banco traseiro abaixado, dava acesso a uma plataforma de 1,77 metro de comprimento por 1,22 de largura e 0,85 de altura.



     O primeiro teste com a Belina realizado por QUATRO RODAS, no mês de lançamento, demoliu o mito de supostos problemas de tração. Ela se saiu bem nas provas que incluíram terrenos lamacentos, campo em que a Variant jogava em casa, graças ao motor e tração traseiros. Mas, verdade seja dita: subir com a Belina uma ladeira de paralelepípedos molhados era missão para James Bond.



     Lançada com o modesto motor de 1289 cm3 de 65 cavalos, a Belina não fez feio nas provas de desempenho. Na velocidade máxima, até bateu o Corcel: chegou a 138 km/h e atingiu 100 km/h em 23,3 segundos, usando até a terceira marcha. Os freios, a disco na frente, mereceram elogios com uma ressalva: eram suscetíveis ao fading quando exigidos por tempo prolongado.



     A suspensão conseguia a proeza de unir conforto, resistência e estabilidade. Já as cruzetas (junta articulada que possibilita tração e esterçamento das rodas) não seriam merecedoras dos mesmos elogios. Frágeis e sensíveis a trancos, se não fossem tratadas com carinho pediam para sair de campo com um toc-toc-toc nas curvas. Quando quebravam, essas juntas deixavam Belina e motorista no meio da rua.

     Abstraindo-se a posição elevada do volante e a visão do reluzente painel metálico com botões cromados, dirigir a Belina não parece uma viagem de mais de 30 anos no tempo.


 Seu desempenho é satisfatório e os comandos são fáceis, com destaque para os pedais, suspensos e de bom tamanho. A alavanca com curso longo não colabora com o limitado motor 1.3 nas trocas mais rápidas de marcha, mas os freios atuam com eficiência. Detalhes como o tapete de buclê que forra o chão e os frisos nos forros de porta eram um diferencial no acabamento na época.



Fred Cunha News