sexta-feira, 2 de outubro de 2015

MÁQUINA DO TEMPO - CARROS DOS ANOS 70 - DODGE 1800 SE - PARTE 1





     Passada a primeira impressão – em que defeitos técnicos arrefeceram o entusiasmo pelo 1800, um dos principais lançamentos de 1973 –, a Dodge se empenhou em recuperar a imagem do carro. O 1800-SE surgiu em 1974 como parte dessa estratégia.
     Embora de porte equivalente ao do Ford Corcel GT, seguia a receita da versão SE do Dart cupê, vendida desde 1972. Com visual despojado e esportivo, mas sem equipamentos que o encarecessem, o novo 1800 visava oferecer o básico com sabor (imitação) de diversão. Público-alvo? O jovem que não poderia pagar por um topo de linha, mas que não se contentaria com um produto de entrada insosso.


     Disponível em vermelho, amarelo, verde e branco, o SE tinha para-choques, molduras das janelas e lanternas, limpadores e grade pintados de preto fosco, mesma cor da faixa nas laterais, que trazia o nome do carro. 
     A Dodge eliminou os piscas dos para-lamas dianteiros das versões Luxo e Gran Luxo, assim como o rádio, o acendedor de cigarro e o botão que destravava o capô. A exemplo do SE derivado do Dart, o revestimento de vinil preto dos bancos do 1800-SE trazia larga faixa xadrez.



     Os bancos eram anatômicos e o porta-luvas vinha sem tampa. Em vez de imitação de madeira, o painel também era preto fosco. Um filete niquelado contornava os instrumentos e o volante era esportivo. 
     À alavanca dos piscas faltava retorno automático e à de câmbio, o revestimento. No único teste em QUATRO RODAS, em maio de 1974, a nova versão revelou virtudes inesperadas. O texto destacava o acabamento mais bem cuidado do SE.
“Apesar de ser uma versão simplificada, seu interior está melhor que o dos modelos Luxo e Gran Luxo. As janelas mereceram elogios em comparação aos demais 1800.
“O nível de ruído é bastante baixo, o motor não chega a incomodar e não se ouvem barulhos de carroceria ou de batidas da suspensão.” Porém o retrovisor interno era só encaixado e se desprendia com algum impacto mais forte da pista. 


     Se o desempenho proporcionado pelos 82 cv do motor (igual ao das outras versões) não empolgava, as frenagens impressionavam. “A 120 km/h, os freios param o SE em 64 metros.” Em teste anterior, o 1800 Luxo precisou de 73,7. 
No entanto, traseira pulava em terreno irregular e os amortecedores causavam tendência ao sobresterço.


     O SE 1974 das fotos, de um colecionador paulista, foi encontrado no interior do estado por um amigo. “Ele estava acabado, mas completo. Os bancos só foram lavados e receberam pequenos remendos.” 
     Tudo mais precisou ser refeito, o que levou um ano, mesmo tempo que durou a produção do SE. Embora o segmento dos médios esportivos tenha proliferado com o Chevrolet Chevette GP e o VW Passat TS, a Dodge acabou abrindo mão da esportividade acessível do 1800-SE, para concentrar essa receita só nos seus modelos V8.


FRED CUNHA NEWS


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