terça-feira, 17 de março de 2015

HISTÓRIAS - ESCOLA ESTADUAL DR. DELFIM MOREIRA - RECORDAÇÕES - PARTE 1




Recordações da Escola Estadual Dr. Delfim Moreira

Fachada da Escola Estadual Dr. Delfim Moreira.
Existem muitas histórias que envolvem a Escola Estadual Doutor Delfim Moreira. Naquele prédio, de paredes grossas, que deixam o ambiente frio o ano todo, muitos santarritenses aprenderam a rabiscar suas primeiras sílabas e, dentre eles, estou eu. Foram inesquecíveis meus primeiros dias de “grupão”. Eu sabia entrar na escola subindo em todas as árvores que contornavam o prédio. A então diretora “Dona Ana”, que nos botava um medo absurdo, tratava de fazer com que sua escola fosse um modelo de disciplina e aprendizado. Todos os dias, fazíamos fila no pátio e cantávamos o hino nacional, o hino à bandeira e outras canções que não consigo esquecer. Logo depois, éramos conduzidos, com a mão direita sobre o ombro do colega da frente, para as salas-de-aula. As lousas eram verdes, o chão de madeira e as carteiras muito antigas. Quando a imponente diretora adentrava nossas salas, ficávamos de pé, em sinal de reverência. Naquela época, as professoras não tinham queixas do meu comportamento, apenas da minha absoluta falta de atenção às aulas. Eu, que sentava sempre ao lado daquelas enormes janelas que existem até hoje, mirava um ponto no horizonte e tratava de viajar para bem longe das aulas de “Moral e Cívica” e “Comunicações Sociais”. O que eu adorava mesmo era participar dos eventos. Lembro que, certa vez, durante as comemorações da Semana da Pátria, subi ao palco, cantei uma música do Nelson Ned, toquei tarol para hastear a bandeira e, em seguida, declamei uma poesia em homenagem ao Brasil. Hoje penso que, talvez, esses tenham sido os meus 15 minutos de fama. Os desfiles de sete de setembro eram outra ocasião que a gente esperava. Todos os anos, éramos ensaiados pela “Dona Hebe” e sempre usávamos um uniforme militar vermelho de botões dourados.
Pouca gente sabe, mas existia uma horta no pátio interno do Grupão.
A Biblioteca

A biblioteca é um local que ainda me traz muitas recordações. A bibliotecária detestava que a gente fosse lá pegar livros, para que não fizéssemos bagunça. Dentre as centenas de volumes que compunham o acervo da escola, tínhamos que escolher entre cinco ou seis livros que ficavam em uma mesinha, logo na entrada. Outra coisa que chamava a atenção era uma pequena chaminé que existia na parte interna do prédio. Dia desses, estava passeando pela escola e vi que ela continua lá mas, até agora, não consegui descobrir para que serve. 
Obra de Sinhá Moreira que quase ninguém conhece: construção de um parquinho no Grupão.
Os banheiros, naquela época, eram cuidados de forma meticulosa por uma senhora chamada “Dona Geralda”. Com uma enorme bota de borracha e avental, esta simpática funcionária passava o dia todo jogando água e passando o pano de chão, enquanto a molecada sujava com a mesma insistência.
"Pelotão da Saúde" se reúne no galpão. Foto de 1937.
No recreio, juntávamos terra debaixo de uma enorme árvore, plantada por meu avô  cujos galhos quase chegavam ao meio da rua. No local onde existe hoje a quadra poliesportiva, havia 3 paineiras. A terra era incrivelmente dura, de tanto que a criançada o pisoteava. 
Antigo parquinho da E.E.Dr. Delfim Moreira.
A merenda

Na hora da merenda, as serventes ofereciam aos alunos tudo o que podia existir de mais delicioso em matéria de culinária coletiva. Ainda ouço algumas pessoas dizerem que sentem saudades do arroz com carne enlatada ou da sopa de macarrão com 3 grãos de feijão. Apesar de todas essas maravilhas culinárias, o “Dia da Criança” era a ocasião mais esperada por nós. Naquela data, a “Dona Ana” adentrava as salas de aula com uma caixa de pães com mortadela e um engradado de caçulinha. A garotada entrava em êxtase.
Década de 70. Molecada bota o terror na sala-de-aula.
Com o tempo, as coisas mudaram por lá. O galpão foi transformado em salas-de-aula, os pátios de terra deram lugar ao cimento e a cor amarela do edifício ganhou novas matizes. Apesar de tudo isso,quando ouço a sirene daquela escola ou volto meus olhos para a Praça Américo Lopes, onho com aqueles momentos em que eu era absolutamente feliz e tinha plena certeza disso.

A história do Grupão:

O terreno onde está localizado o “Grupão”

Alan Kardek do Nascimento e ala feminina do Grupão. (1928) As lendárias paineiras ainda eram mudas.
O terreno onde encontra-se hoje a Escola Estadual Dr. Delfim Moreira, em outros tempos, pertencera ao Sr. Francisco Marques Pereira. No século XIX, sua intenção era construir, naquele local, uma Capela dedicada à Nossa Senhora do Rosário. Não se sabe porque a construção não vingou, mas conta-se que foram utilizados os mesmos alicerces para a construção da primeira caixa d’água da cidade. Os vestígios desta obra permaneceram por ali até que o terreno foi escolhido para a construção do então “Grupo Escolar Delfim Moreira”.




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3 comentários:

  1. Grupão foi a pior escola que eu já frequentei, mas foi nela que eu fui mais feliz.

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  2. orra... e lah eu passei 11 anos de minha vida... desde o pre de 4....
    nostalgico.... hehehe

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  3. Nossa eu e minha irmã Sueli estudamos nesta escola, eu entrei no primeiro ano em 1977 e formei o 4° ano em 1980, depois disso fui embora de Santa Rita, um época de ouro na minha vida tenho muitas saudades, porém , perdi o contato com todos os alunos que esturam comigo, hoje tantos anos depois não lembro de muitos nomes apenas vagas lembranças como Paulo,Adilsom e Elba ela era filha de um dentista que morava quase na porta da escola, mas só isso que me recordo, voltei várias vezes em Santa Rita e já fui várias vezes na Escola, o passado está lá nos corredores nas salas ... é uma sensação inexplicável.. gostaria muito de ter um contato com alguém que estudou comigo, caso alguém ler esta mensagem e reconhecer por favor entre em contato meu nome é Fábio e meu facebook é Fábio Fonseca, moro desde então na cidade de Três Pontas MG, seria muito importante esse contato . um abraço a todos.

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